segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Anjo



Podia ter abraçado mais
Visto e vivido mais
Podia ter dito que amava
Escrever mil versos
Podia ter acolhido, escolhido,
Sorrido e sofrido ao seu lado
Num instante se perdeu
Tão pouco nos uniu

Uma única fotografia
Tudo que restou

E dentro de mim
O vazio perpetua
Sua presença tão ínfima e duradoura
Mais um anjo deixou esse mundo
Com o céu ao alcance

Queria ter entrado mais em sua vida
Queria guardar mais seus segredos
Viver mais teus romances

Enquanto escrevo para ti
Sinto forte sua presença
E sei que sabe, agora sim,
O quanto foi importante te ter em minha vida
Mesmo que por pouco tempo.

Pelo empurrão do menino
Encostei minha vida em sua vida
Meu nome em seu nome
Para que pudesse deixar seu pedaço em mim
Nada dura para sempre, nem mesmo o nada.

Então pegue sua bagagem e volte para casa
Espero um dia te encontrar sorrindo
Dentro de um jardim florescente
Fumando marlboro e bebendo cerveja
Dançando timidamente próximo ao balcão
Enquanto a música invade nossos tímpanos
Suavemente esticarmos as pernas
Em uma enorme plataforma de metal
E então gargalharmos de tudo e de nada
O colorido nos cegando em uma noite qualquer
Mesmo que por poucos segundos em minha memória

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Anxiety to pain



Today distress choked my words

shortcomings of lies, betrayals and false vows

are stride of reprimand
to disclose their demons

all this is just a third of my despair

but for you, It don't care ...

I pour my dissatisfaction in their hands

it is inevitable their changes
to imprison my anxiety to pain

I walk through texts and loneliness

to find the address of my sadness

between precipices and panic, I was in there.
to believe, to pretend, to deserve

but I don't deserve...

so I hope my turn
to believe it's done
and find my peace of mind in my dreams
and not everything is what it seems


I can rest on the green forest in my imagination
and I'm not afraid anymore...

still inside the pain and shame

I'm reborn

domingo, 13 de setembro de 2009

Chandon


Perdoa se eu errei
Deixando uma mancha escura em nossa história
Perdoa se no mais
Eu causei algum dano

Eu precisava descobrir
Como é estar com qualquer
Gostando de alguém
Eu quis experimentar essa sensação
Um pico rápido e doloroso

Admito que não serei mais a mesma
Admito que por baixo da minha postura rígida
Existe alguém que não conhece a si mesmo
E embora forje sentimentos
Não consegue forjar pra si mesma

Afogando meu lamento em taças de champanha
Triturando meus pensamentos com uma lâmina afiada
Intoxicando os pulmões...
Nada dissolveu minha dor

Sim, arcando com as conseqüências.
Sem palavras para expressar
Sem vida para clamar
Meu masoquismo está além do que poderia imaginar
Onde passos fáceis de dança
Emaranham-se em tragédia
No quarto escuro que é o meu coração.

sábado, 12 de setembro de 2009

TEO


soberana beleza,
o teu espelho são seus olhos...
tão sinceros e piedosos
a sua força é inigualável
e não há raiva nem rancor

mesmo com uma mão segurando o seu instinto
consegue sorrir...
e gritam, que és Deus
e dizem que não...

e falam das suas próprias intenções...
e eu não sei da verdade
mas sinto que se pudesse,
me contaria...

a tua lealdade é muda...
mas sempre há suspiros de bondade
cansaço, mas nunca desistência
nas suas pernas...

mas sei que quando dizem que
és traiçoeiro
sobe um ódio pela cabeça
e quando nos desafiam
ah! É pior...
e toda vez que te vejo
tenho um rastro de felicidade
que recupero...

e logo o vazio sai no meu rosto
e novamente acho que estou
perdida na grande ingratidão bandida...

leve me para longe em seu dorso...
para que eu possa viajar nas asas da fidelidade
enquanto durmo
e acordando...
qualquer momento
não precisaria de uma explicação

você pode ser meu amigo
mas não em todo momento
sei que não é por querer...

PANTA RHEI OUDEN MENEI...


os gritos da vitima
aliviam seus sofrimentos...
E o carimbo perfura a imaginação
quanto a toda treva
que se cala dentro do coração.

não foi o castigo de Heráclito
que salvou a humanidade
nem a verdade Cristã
pois humanidade não há salvação
tudo flui, nada é estático

o caminho da sabedoria se fechou
e no ano que termina
carrega uma rosa amarela
com espinhos...
para que atravesse o novo ano

não há salvação, nem partição da dor
em um movimento comunitário
não há comunismo, pois este morreu
nas mãos de Stalin
e mataria Marx de desgosto...

a fivela da sacerdotisa se abriu
e esta desnudes a torna fraca
cortem a cabeça da bruxa!
Cortem a maldição das feiticeiras
que correm nuas para a lua

e o fogo brando leva a verdade
e toda mentira hoje é sabedoria
quem perdeu a fivela no campo?
E o que é aquele símbolo no topo da bandeira?
É o fascismo renovando o seu passado...

e quem reza nunca está só?
Nadei rezando todas as noites
e acordei com a mão de Hades
dizendo-me friamente
“seus sonhos acabaram”

e quando piratas escorregaram da rampa
com uma espada espetando as feridas da alma
enquanto os tubarões os esperavam famintos
e que animais estes? Animais que comem
a carne podre humana...

sua racionalidade Aristoteliana
seu imposto de renda
que paga em toda encarnação
ao imperador Napoleão
e ainda as despesas do calçamento...

nas trevas tudo se vê
até mesmo tragédias gregas...
onde o pai manda matar o filho
que entregará no futuro seu amor a Helena
nada flui tudo é estático...

mas Sófocles disse o que Antígona pensou
e Medeia cuspiu em sua própria cria...
muita misericórdia acaba em sofrimento
e quem somos nós para acabar com as dores do mundo?
Se o mundo sofre é porque o homem o mata aos poucos

cadê a sinceridade dos amantes?
Cadê a sinceridade dos pais?
Dos filhos? Dos árabes e judeus?
Dos saxões? Dos celtas?
Do mundo atual?

Onde Deus colocou seu filho?
Na boca do inferno?
Onde homens comem sua carne
tais como tubarões...
e Heráclito diz... "Tudo flui nada é estático”

e a verdade sempre aparece?
Se a melodia infinita a alcançar...
e as partituras dos deuses atingirem
as mãos de homens, como lanças...
ele corre pela estrada, pois tudo flui nada é estático

e ele corre tanto que cansa
cansa os pulmões, os fígados, que já não tem
pois já o enfiara no bico da águia
e quando solucionam os problemas, ele morre
pois tudo flui nada é estático

até mesmo o homem vivo
tem seu canto de deidade
até mesmo a casa pobre
tem um canto de deidade
até mesmo o que é estático, flui...

sem a miserável riqueza persa
o mundo não construía a guerra?
Sem o pecado capital
o homem seria anjo a bordo do navio
que o levaria ao universo,
porque tudo flui e nada é estático

mas o silencio flui
e a incerteza carrega os verdadeiros culpados
o lamento soa fúnebre nas costas do carrasco
que se deixa seduzir pela morte
esta que se ajoelha a Aradia, Diana, Vênus...
pois tudo flui, nada é estático...

o vomito do diabo



cuspindo e escarrando no seu jardim
em suas belas rosas vermelhas e amarelas
florescendo as verdades sempre em linha reta
para esquecer as cicatrizes do passado
ler a coluna de finados do jornal

na mediocre existencia
onde ninguem percebe sua ausencia
ao menos que sejam seus pais
para na morte ser representado

esta hipocrisia mundana
de dardos incestuosos
e putas que caminham à noite caçando vitimas
mas obscenidade é obsoleto

onde conduz o perigo à uma vala
de profundos misterios sedentos de maldade
que a luz do dia nao consegue capturar ao seu teto solar
nem a bela estatueta em sua casa vazia
poderia entregar-lhe uma boa inspiraçao

nessa inutilidade o pincel morre
numa conquista de sementes podres e inferteis
certa hostilidade habitual no olhar
que esfrega em sua cara uma agua suja e mucosa

mas a partir da noite voce esquece as violetas
apenas deseja sua morte
apenas carrega consigo a vingança
e pergunta-se porque

a paixao que o leva a vida se desfaz quando
para reconquistar a dama
o jovem vende a alma ao diabo
e com o escudo da mediunidade
guarda-se das dores

para encontrar a si mesmo
falsifica identidades
e para relembrar os devaneios
sente-se impiedoso

mas o crepusculo mostra sua indiferença
em reflexos por todos os lados
das clausuras descritas nos papeis
que estao totalmente modificadas

existe uma porçao de partituras
jogadas ao vento
pois a musica já nao é vida
musica é desespero de sofredores
e apenas o som de orgaos pulsando
e perdidos dentro de uma vida

e nao existe cura para doenças etérias
nem consome a custo sua imaginaçao
é o silencio que cabe na boca amaldiçoada
alma de Sua dama
que sempre busca
este é o seu ópio, o seu sucesso,
o vicio que roda em circulos

a melancolica despedida
partida sem sentido
saida trancada por cadeados invisiveis
os quais voce mesmo criou
numa tentativa de causar-se dor

um leve toque nas janelas e consegue enxergar
sua propria nostalgia
mas nao consegue libertar-se de si mesmo
nao pode perder-se nos seus proprios pensamentos
recusa-se a sentir os mais sublimes sentimentos
e busca o sonifero eterno dentro da garganta do diabo
que o devora e o vomita

o diário da solidao - 19/09/01 às 3h da manhã


como posso saber a direção certa,
se nem sei a errada.
choveu tanto hoje...
e posso sentir o vento respirar,
tão forte e oculto
agora, as doloridas feridas se fecham
todas de uma só vez
cicatrizam, mas deixam marcas
de mágoas eterna
transforma doces despedidas
em inspiração suave que penetra
nas cavidades do corpo e
afogam nos poros.
o sofrimento multiplica
enquanto anjos desenvolvem asas
causando desilusões
quando as asas partem
os anjos morrem...